Umbanda e Metrópole



“As interpretações sociológicas sobre o nascimento da umbanda assentam-se, como não poderia deixar de ser, em sua tríplice condição de religião nacional, surgida e consolidada no momento da expansão do sistema urbano industrial do segundo quartel do século, justamente nos centros urbanos mais importantes das regiões mais desenvolvidas do país.” (Negrão, 1993, p.114).

      Analisando a citação do autor pode-se perceber que o nascimento da umbanda tem profunda relação com o significado dado ao termo metrópole (cidade principal, ou ainda, alguma cidade que, por algum motivo, exerce influência -cultural, social, econômica- sobre as demais cidades da região metropolitana).  E por ter surgido em um ambiente tão propicio, talvez obteve sua legitimação social facilitada.
    “Durante o período de surgimento da umbanda muitas brechas se abriram para a continuidade das práticas religiosas afro-brasileiras, patrocinada pelas elites intelectuais e artísticas que buscavam a definição de nossa identidade nacional.” (Silva, 1994).

     No trecho acima, vemos como os intelectuais da época que viviam nestes primeiros redutos de grandes metrópoles influenciaram na aceitação da umbanda por parte da sociedade.

    “Radicalizando a interpretação, em sua perspectiva estruturalista, Renato Ortiz (1991) a percebe como uma “exigência” de uma sociedade moderna, racionalizada e moralizada.” (Negrão, 1993, p.114).

     A organização dos terreiros umbandistas a partir de um quadro burocrático (terreiro possuía um estatuto que estabelecia cargos, as funções dos membros, etc.) demonstra como a organização dessa metrópole influenciou neste seu anseio de reconhecimento, tentando demonstrar sua relação com esta moderna, racionalizada e moralizada sociedade.
     Na década de 50 surgiram as primeiras federações em São Paulo, cuja finalidade foi promover a institucionalização e legitimação da umbanda através da articulação coletiva dos seus interesses (fornecer assistência jurídica aos seus afiliados contra a perseguição policial, organizar eventos de divulgação da religião, etc).

       “Como nasceu em um ambiente tão politizado, na década de 60, aproveitando de suas alianças políticas pode ampliar sua legitimação e organização. A umbanda soube aproveitar a seu favor o clientelismo eleitoral e posteriormente, em 1964, a oposição entre regime militar e setores radicais da Igreja católica”. (Silva, 1994).

    As dificuldades para registrar a umbanda em São Paulo foram sendo vencidas com alguns avanços desse movimento. Em 1961 realizou-se o II Congresso Nacional e o I Congresso Paulista, e a partir de 1964 as festas umbandistas passaram a ser incluídas nos calendários turísticos regionais, sendo 31 de dezembro declarado oficialmente o dia do umbandista.

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