Umbanda e Políticas Públicas

Placa na entrada do Parque Ecológico Vale dos Orixás.

O culto à natureza faz parte da essência das práticas umbandistas, cultuá-las significa reverenciar e adorar as forças energéticas que emanam das rochas, água, solos, árvores e folhas.

Entender o significado de se fazer uma oferenda tornou-se fundamental, já que se constitui um ato de interação do fiel com seu guia Orixá e forças da natureza. As oferendas são utilizadas em benefício de quem oferenda ou para quem se destina, ou seja, as energias dos elementos podem ser em benefício próprio ou de outro.

Então entendemos que os pontos de força naturais são as casas dos orixás.
Diante da necessidade do contato com a natureza, a falta de espaços apropriados para as oferendas ou territórios santuários tornou-se um dos maiores dilemas para a Umbanda.


Lixo jogado no Parque.

Se o culto a natureza é um preceito religioso para os umbandistas, então como adorar a natureza sem locais que permitam essa prática.

A partir do crescimento do movimento ambientalista no Brasil, os umbandistas passaram a sofrer críticas em razão aos danos que causam no meio ambiente, natural ou construído.

 Se a Umbanda cultua a natureza, a poluição dos santuários se torna prejudicial e prejudica a imagem do umbandista diante da opinião pública.

Na constituição brasileira, encontram-se inúmeros artigos que respaldam os rituais de matriz africana, concedendo o direito aos praticantes de terem acesso a educação ambiental, assim como a possibilidade de espaços apropriados para a realização de cerimônias.
Lixo jogado no Parque Ecológico dos Orixás, em Raiz da Serra, Magé (RJ).


A existência de uma instituição que garanta o acesso à natureza aos umbandistas revela que é possível, com boa vontade política e planejamento.
Destacamos a relevância do papel do Estado diante das idiossincrasias da sociedade e suas múltiplas territoriais. Os gestores públicos precisam redefinir seus papeis diante da situação cultural-religioso.

Se a relação da religião com a natureza apresenta contradições, cabe ao poder público gerenciar os conflitos e conceder aos praticantes condições de participar mais efetivamente das decisões políticas a fim de promover uma consciência socioambiental que permita o convívio respeitoso dos umbandistas com o restante da sociedade.

 Referências Bibliográficas

PUC-RIO. Umbanda e Sustentabilidade na região metropolitana do Rio de Janeiro: novas possibilidades e políticas públicas em andamento. http://www2.dbd.puc-rio.br/pergamum/tesesabertas/0812096_10_cap_04.pdf. Último acesso em 05/12/2012 às 11:56.

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