quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Umbanda como Forma de Manifestação Artística

Apresentação de dança em ritos umbandistas.

 A arte já foi fonte de estudo de diversos autores clássicos, como Karl Marx, que dizia que a arte somente poderia ser estudada no contexto da história, do trabalho e da indústria, pois o modo de produção seria decisivo para a vida social e intelectual; Sigmund Freud que estabelecia a arte como função social que tem responsabilidade de ser mediadora, de promover a adaptação do indivíduo e garantir o equilíbrio das sociedades; Michael Foucault entendeu a arte na sociedade moderna como portadora de um discurso trágico, uma experiência até certo ponto negativa e radical, que provocaria alterações, deslocamentos e transposições; daí então a contiguidade com a loucura, e a aparente ausência de sentido; e por último Umberto Galimbert que concluiu que afastar o homem da expressão espiritual propiciada pela arte equivaleria a limitá-lo a condição animal; da mesma forma a arte em sua materialidade não existiria sem o homem, estaria restrita ao domínio do espírito.1



Dessa forma, podemos ver através dos autores mencionados que a sociedade se manifesta e interage através da arte. De igual modo, a religião, como fonte de cultura, também expressa manifestações artísticas.

No caso da Umbanda, o primeiro aspecto é a própria dança, em que se cultua cada orixá e guia com um jeito particular de dançar e se representar. Esse jeito é que ajuda na identificação da entidade, seus domínios e suas características. A dança ritualística da umbanda não é só expressão corporal. Sua função é transmitir informações míticas sobre a entidade. A dança do orixá Ogum está relacionada ao mito de que ele fora um orixá guerreiro e seus movimentos durante a dança remetem ao mito.          

Fortemente relacionado à dança, tem-se o canto, ou pontos cantados, e o toque dos atabaques. Os cantos também se diferenciam de entidade para entidade. As letras dos cantos contam a historia do orixá, já que não dominavam a escrita, os mitos eram transmitidos oralmente.

Podemos citar também, como arte umbandista, as vestimentas e indumentárias dos orixás e guias. Cada um se veste com roupas próprias e de cores diferentes. Os adornos e ferramentas utilizados são diferentes entre si, mesmo que o domínio de distintos orixás seja o mesmo. Por exemplo: Obá e Oxum são divindades das águas doces, mas têm características totalmente diferenciadas. Logo suas roupas, ornamentos e instrumentos são diferentes.

Desse modo, concluímos que os conceitos de arte e sociedade intrinsecamente relacionados, sendo que a arte está presente nos múltiplos aspectos da vida em sociedade, como a religião.  Ambas têm particularidades, mas se unem por serem atividades de natureza humana, que lhes dá significado.


Referências Bibliográficas

BAY, Dora M. D. Arte & Sociedade: Pinceladas no conceito Insólito. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências Humanas. Artigo. 2008.
AZEVEDO, Janaina. Tudo que você precisa saber sobre umbanda. São Paulo: Universo dos livros, 2010. Volume 1.
COLI, Jorge. O que é arte. 15 ed. 14 reimpr. São Paulo: Brasiliense, 2008.
ORPHANAKE, J. Edson. Mediunidade e seus problemas. 3 Ed. São Paulo: Pindorama, 1995

Umbanda e Sexualidade



A palavra sexo (do Latim secare: cortar, dividir) [1] originalmente refere-se a nada mais do que a divisão da raça humana em dois grupos: fêmeas e machos. Todos os indivíduos pertencem a um destes grupos, ou seja, ou o indivíduo é fêmea ou é macho. Contudo, o assunto não é tão simples, em alguns casos pode ser extremamente difícil determinar se um indivíduo em particular é do sexo feminino ou masculino, haja vista intervenções genéticas que ditam ordens diversas de manifestações de sexualidade.

O sexo é algo polêmico no que diz respeito à religião. Algumas religiões consideram algo sujo, impuro, pagão. Na igreja católica, por exemplo, os padres e madres fazem voto de castidade; em alguns segmentos evangélicos o corpo não pode ser explorado e dentro da umbanda e candomblé é comum a expressão corpo sujo (quando o homem e mulher tiveram relações sexuais[2], isso sem entrar no assunto: sexualidade, gênero, homossexualidade, etc.

Umbanda e Políticas Publicas

Placa na entrada do Parque Ecológico Vale dos Orixás.


O culto à natureza faz parte da essência das práticas umbandistas, cultuá-las significa reverenciar e adorar as forças energéticas que emanam das rochas, água, solos, árvores e folhas.

Entender o significado de se fazer uma oferenda tornou-se fundamental, já que se constitui um ato de interação do fiel com seu guia Orixá e forças da natureza. As oferendas são utilizadas em benefício de quem oferenda ou para quem se destina, ou seja, as energias dos elementos podem ser em benefício próprio ou de outro.

Cachoeira - Cantinho dos Orixás

Festa de Yemanjá - Praia de Mongaguá

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pesquisa de campo



Conforme o post – Umbanda Preconceito e Discriminação – pode-se perceber que a umbanda, bem como seus adeptos, sofre de discriminação que fora de forma mais explícita, direta e agressiva, no começo do século, quando ainda não havia a laicidade do Estado, mas que se mantém até os dias atuais. Seja por seja por falta de conhecimento da doutrina, seja por influência dos ensinamentos de outras religiões que se fundiram com o senso comum da sociedade brasileira.

Umbanda e Metrópole


“As interpretações sociológicas sobre o nascimento da umbanda assentam-se, como não poderia deixar de ser, em sua tríplice condição de religião nacional, surgida e consolidada no momento da expansão do sistema urbano industrial do segundo quartel do século, justamente nos centros urbanos mais importantes das regiões mais desenvolvidas do país.” (Negrão, 1993, p.114).

      Analisando a citação do autor pode-se perceber que o nascimento da umbanda tem profunda relação com o significado dado ao termo metrópole (cidade principal, ou ainda, alguma cidade que, por algum motivo, exerce influência -cultural, social, econômica- sobre as demais cidades da região metropolitana).  E por ter surgido em um ambiente tão propicio, talvez obteve sua legitimação social facilitada.