| Reunião espírita (kardecismo} |
Teve origem por volta
de 1920 e 1930, quando kardecistas da classe média, no Rio de Janeiro, São
Paulo e Rio Grande do Sul, passaram a mesclar com suas práticas elementos das
tradições religiosas afro-brasileiras, e a professar e defender essa “mistura”,
e com o objetivo de torna-la legitimamente aceita, com o status de uma nova
religião. (Silva, 1994.)
Muitos
elementos formadores da Umbanda já estavam presentes no universo religioso
popular do final do século XIX, sobretudo nas práticas bantos (grupo etnolinguístico localizado
principalmente na África Subsaariana). Cargos e elementos litúrgicos da
cabula também se preservaram na Umbanda, como o de cambone, auxiliar do chefe
do culto, ou a enba (ou pemba), pó sagrado usado para ”limpar o ambiente dos
rituais”. (Silva, 1994.)
As origens
afro-brasileiras da Umbanda remontam, assim, ao culto às entidades africanas,
aos caboclos (espíritos ameríndios), aos santos do catolicismo popular e,
finalmente, ás outras que a esse panteão foram sendo acrescentadas pela
influência dos Kardecistas. (Silva, 1994.)
O
Kardecismo foi criado por Allan Kardec (pseudônimo de Leon Hipollyte Denizart
Rivail) em meados do último século na França. (Silva, 1994.)
O
Kardecismo estabelece a existência de um Deus criador onipotente e onipresente
(o mesmo da tradição judaico- cristã), porém distante dos homens. Próximo
destes está os “guias” (espíritos dos mortos “desencarnados”), com a missão de
ajudar os homens a evoluir através da prática da caridade, do bem e do amor aos
semelhantes. (Silva, 1994.)
A
reencarnação é um dos pontos centrais deste sistema religioso. As sucessivas
reencarnações serviriam, dotados de livre-arbítrio, para a evolução através da
prática do bem; ou regressão por terem cedido às tentações da vida carnal. (Silva,
1994).
Enfim o
Kardecismo, sendo praticado por um estrato social mais elevado da população,
autodenominando-se uma religião cristão, legitimou a possessão de espíritos,
serviu como mediador para a constituição da Umbanda, que sob sua influência, se
desenvolveu como religião organizada. (Silva, 1994.)
A Umbanda
é representada pela diversidade, miscigenação de culturas que acompanhou o
processo das influências recebidas assim ficou difícil detectar sua origem. (Silva,
1994.)
Sua
descentralização levou o não reconhecimento de suas diversas formas de
manifestações. (Silva, 1994.)
Fato histórico:
A chegada dos portugueses no Brasil.
A
história se fez através da cultura dominante europeia na Brasil, com o
catolicismo imposto pela igreja. A cultura europeia era dominante e existia um
forte preconceito contra as culturas indígenas e africanas.
No final do século XX e início do século XXI
que começamos a ter influências de outras culturas e não somente a europeia.
As origens culturais da Umbanda
Inicia
- se com Zélio Fernandino de Moraes.
A Umbanda surgiu das classes menos favorecidas
em uma sociedade salvacionista e racista.
(RIVAS,
Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p. 15, 2008)
Cultura ameríndia
Os índios habitavam as terras brasileiras, com
a chegada dos europeus houve um choque de culturas e os colonizadores quiseram
impor suas crenças e costumes aos índios.
Entre
a cultura europeia e a ameríndia havia traços históricos parecidos, para os
portugueses que eram católicos havia a passagem na bíblia do dilúvio para os
índios também existia, somente com aspectos culturais diferentes; “quando a água vermelha, a água vermelha e
grossa se pôs a subir, então ela levou inumerável Aché. A água vermelha a
grande água vermelha levava muitos Aché. Um homem e sua mulher treparam uma
palmeira até o topo. Até no topo de uma palmeira eles treparam. Vendo lá do
alto que a água continuava a subir. Tanto que se elevou a onda que se abateu a
árvore e os dois Aché tiveram que subir no topo de outra. Velha e sólida
palmeira. Mais tarde recomeçaram a lançar os frutos eles o jogaram embaixo:
pluft! A água estava ali ainda. Mais tarde recomeçaram a lançar frutos: pum!
Haviam batido na pedra. Então eles puderam descer. A água havia levado todos os
Aché e eles haviam se transformado em capivara. É na água que moram
transformados em capivara as almas desse s Aché”( RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio
Machado , p.29e 30,
2008).
O europeu conseguiu colonizar não apenas parte
do continente americano ele também colonizou parte do imaginário indígena, com
muita eficácia transformou os donos da terra em desterrados do corpo e da alma
(RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, 2008).
Cultura Africana
O território africano desde o século VII
recebia influências do islamismo. Os portugueses introduziram o cristianismo na
África em 1489 conforme um acordo com o rei do Congo. Com a escravidão os
negros que entraram no Brasil já habitavam o imaginário dos europeus como um
ser inferior, demoníaco, herege e sem alma, segundo a igreja.
Estar ligado à figura do negro era suficiente
ser considerado algo demoníaco, infecto e descaracterizado dos princípios divinos,
pois como para a igreja, o negro não tinha alma, logo não poderia produzir nada
de sagrado. Qualquer traço de elementos culturais africanos traria
automaticamente a negatividade coisas ruins e inferiores (RIVAS, Maria Elise
Gabriele Baggio Machado, p.46, 2008).
As escolas umbandistas ligadas às tradições
africanas, até os dias atuais são consideradas demoníacas. Somar isso a figura
do índio era enterrar- se vivo para a sociedade da época.
Havia a preocupação de que os miseráveis
considerados pela sociedade como os negros e índios, instituísse uma nova
religião. A Umbanda que tinha todo o elemento das culturas dos excluídos, porém
com uma nova leitura tornasse a religião dos mesmos. Foi então necessária uma
campanha de desvalorização associando a “nova
religião” a padrões selváticos,
primitivos e incultos (RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado,
p.49, 2008).
Isso está baseado no porque do mito esta
baseado no surgimento da mesa Kardecista e ter seu registro nos anais branco da
Umbanda.
A única “raça” com aval da sociedade “civilizada
e culta” para legitimar um movimento cultural e religioso, o nascimento da
Umbanda.
(RIVAS,
Maria Elise Gabriele Baggio Machado, 2008).
Cultura europeia
Com a vinda da família real para o Brasil e
os acordos firmados entre Portugal e Inglaterra de “Comércio, Navegação,
Aliança e Amizade” e mais a prática religiosa protestante em nosso território,
a introdução do culto protestante desencadeou reflexos sociais como a
preocupação com o alto índice de analfabetismo no país. Os protestantes
introduziram a alfabetização funcional para as classes menos favorecidas, pois
para eles era necessário que cada pessoa pudesse ler e interpretar a bíblia.
Para um país que tratava, índios negros e
mestiços como animais e imigrantes pobres sem direito a nada foi uma mudança significativa.
Num primeiro momento os protestantes não
encontraram dificuldades com a igreja católica que estava se voltada para os
cultos demoníacos afrodescendentes.
No ano de 1824 a religião católica foi
declarada religião oficial do Império, “O artigo cinco de 25 de Março de 1824, outorgada
por Dom Pedro I dizia “A religião
Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império, segundo o
qual o poder executivo possui a obrigação de proteger a religião do Estado.
(RIVAS,
Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p. 53, 2008).
Em Salvador as organizações não católicas
compostas especialmente por negros, funcionavam em moradias e faziam parte do
quadro urbano.
Os terreiros, centros e o protestantismo
vieram a ser no Brasil profundo transformador social como foi à igreja católica
em causa própria.
Algumas religiões eram legitimadas enquanto
outras eram perseguidas como culto demoníaco.
Quando foram estabelecidas as faculdades de
medicina no Brasil em 1832 houve uma acirrada tensão entre curandeiros e
feiticeiros, embora a medicina imperial tivesse informações das três tradições:
europeia, indígena e negra.
Quando se estabeleceu o afastamento dos
curandeiros e feiticeiros ocorreu uma “Caça as bruxas” no qual seria denigrir e
desacreditar a arte de cura popular desses praticantes. Podemos citar que os
jesuítas para impor aos índios o cristianismo destruíram sua cultura.
(RIVAS,
Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p.56, 2008).
Essas são algumas das influências recebidas
pela Umbanda.
Referências Bibliográficas
RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado - O Mito de Origem, 2008.
Manual
para apresentação à FTU – Faculdade de Teologia Umbandista.
DA SILVA, Vagner G."Candomblé e Umbanda: Caminhos da
devoção brasileira". 1ª ed. São Paulo: Editora Ática,1994,p.106-110.
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