segunda-feira, 29 de outubro de 2012

As origens da Umbanda


Reunião espírita (kardecismo}
Teve origem por volta de 1920 e 1930, quando kardecistas da classe média, no Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul, passaram a mesclar com suas práticas elementos das tradições religiosas afro-brasileiras, e a professar e defender essa “mistura”, e com o objetivo de torna-la legitimamente aceita, com o status de uma nova religião. (Silva, 1994.)

     Muitos elementos formadores da Umbanda já estavam presentes no universo religioso popular do final do século XIX, sobretudo nas práticas bantos (grupo etnolinguístico localizado principalmente na África Subsaariana). Cargos e elementos litúrgicos da cabula também se preservaram na Umbanda, como o de cambone, auxiliar do chefe do culto, ou a enba (ou pemba), pó sagrado usado para ”limpar o ambiente dos rituais”. (Silva, 1994.)

    As origens afro-brasileiras da Umbanda remontam, assim, ao culto às entidades africanas, aos caboclos (espíritos ameríndios), aos santos do catolicismo popular e, finalmente, ás outras que a esse panteão foram sendo acrescentadas pela influência dos Kardecistas. (Silva, 1994.)

    O Kardecismo foi criado por Allan Kardec (pseudônimo de Leon Hipollyte Denizart Rivail) em meados do último século na França. (Silva, 1994.)

   O Kardecismo estabelece a existência de um Deus criador onipotente e onipresente (o mesmo da tradição judaico- cristã), porém distante dos homens. Próximo destes está os “guias” (espíritos dos mortos “desencarnados”), com a missão de ajudar os homens a evoluir através da prática da caridade, do bem e do amor aos semelhantes. (Silva, 1994.)

   A reencarnação é um dos pontos centrais deste sistema religioso. As sucessivas reencarnações serviriam, dotados de livre-arbítrio, para a evolução através da prática do bem; ou regressão por terem cedido às tentações da vida carnal. (Silva, 1994).

   Enfim o Kardecismo, sendo praticado por um estrato social mais elevado da população, autodenominando-se uma religião cristão, legitimou a possessão de espíritos, serviu como mediador para a constituição da Umbanda, que sob sua influência, se desenvolveu como religião organizada. (Silva, 1994.)
   A Umbanda é representada pela diversidade, miscigenação de culturas que acompanhou o processo das influências recebidas assim ficou difícil detectar sua origem. (Silva, 1994.)
Sua descentralização levou o não reconhecimento de suas diversas formas de manifestações. (Silva, 1994.)
Fato histórico: A chegada dos portugueses no Brasil.
   A história se fez através da cultura dominante europeia na Brasil, com o catolicismo imposto pela igreja. A cultura europeia era dominante e existia um forte preconceito contra as culturas indígenas e africanas.
  No final do século XX e início do século XXI que começamos a ter influências de outras culturas e não somente a europeia.
As origens culturais da Umbanda
Inicia - se com Zélio Fernandino de Moraes.
 A Umbanda surgiu das classes menos favorecidas em uma sociedade salvacionista e racista.
(RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p. 15, 2008)

Cultura ameríndia
 Os índios habitavam as terras brasileiras, com a chegada dos europeus houve um choque de culturas e os colonizadores quiseram impor suas crenças e costumes aos índios.
Entre a cultura europeia e a ameríndia havia traços históricos parecidos, para os portugueses que eram católicos havia a passagem na bíblia do dilúvio para os índios também existia, somente com aspectos culturais diferentes; “quando a água vermelha, a água vermelha e grossa se pôs a subir, então ela levou inumerável Aché. A água vermelha a grande água vermelha levava muitos Aché. Um homem e sua mulher treparam uma palmeira até o topo. Até no topo de uma palmeira eles treparam. Vendo lá do alto que a água continuava a subir. Tanto que se elevou a onda que se abateu a árvore e os dois Aché tiveram que subir no topo de outra. Velha e sólida palmeira. Mais tarde recomeçaram a lançar os frutos eles o jogaram embaixo: pluft! A água estava ali ainda. Mais tarde recomeçaram a lançar frutos: pum! Haviam batido na pedra. Então eles puderam descer. A água havia levado todos os Aché e eles haviam se transformado em capivara. É na água que moram transformados em capivara as almas desse s Aché”( RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado , p.29e 30, 2008).
  O europeu conseguiu colonizar não apenas parte do continente americano ele também colonizou parte do imaginário indígena, com muita eficácia transformou os donos da terra em desterrados do corpo e da alma (RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, 2008).
Cultura Africana
  O território africano desde o século VII recebia influências do islamismo. Os portugueses introduziram o cristianismo na África em 1489 conforme um acordo com o rei do Congo. Com a escravidão os negros que entraram no Brasil já habitavam o imaginário dos europeus como um ser inferior, demoníaco, herege e sem alma, segundo a igreja.
  Estar ligado à figura do negro era suficiente ser considerado algo demoníaco, infecto e descaracterizado dos princípios divinos, pois como para a igreja, o negro não tinha alma, logo não poderia produzir nada de sagrado. Qualquer traço de elementos culturais africanos traria automaticamente a negatividade coisas ruins e inferiores (RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p.46, 2008).
  As escolas umbandistas ligadas às tradições africanas, até os dias atuais são consideradas demoníacas. Somar isso a figura do índio era enterrar- se vivo para a sociedade da época.
  Havia a preocupação de que os miseráveis considerados pela sociedade como os negros e índios, instituísse uma nova religião. A Umbanda que tinha todo o elemento das culturas dos excluídos, porém com uma nova leitura tornasse a religião dos mesmos. Foi então necessária uma campanha de desvalorização associando a  “nova religião” a padrões selváticos,  primitivos e  incultos  (RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p.49, 2008).
   Isso está baseado no porque do mito esta baseado no surgimento da mesa Kardecista e ter seu registro nos anais branco da Umbanda.
  A única “raça” com aval da sociedade “civilizada e culta” para legitimar um movimento cultural e religioso, o nascimento da Umbanda.
(RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, 2008).
Cultura europeia
  Com a vinda da família real para o Brasil e os acordos firmados entre Portugal e Inglaterra de “Comércio, Navegação, Aliança e Amizade” e mais a prática religiosa protestante em nosso território, a introdução do culto protestante desencadeou reflexos sociais como a preocupação com o alto índice de analfabetismo no país. Os protestantes introduziram a alfabetização funcional para as classes menos favorecidas, pois para eles era necessário que cada pessoa pudesse ler e interpretar a bíblia.
  Para um país que tratava, índios negros e mestiços como animais e imigrantes pobres sem direito a nada foi uma mudança significativa.
  Num primeiro momento os protestantes não encontraram dificuldades com a igreja católica que estava se voltada para os cultos demoníacos afrodescendentes.
  No ano de 1824 a religião católica foi declarada religião oficial do Império, “O artigo cinco de 25 de Março de 1824, outorgada  por Dom Pedro I dizia “A religião Católica Apostólica Romana continuará a ser a religião do Império, segundo o qual o poder executivo possui a obrigação de proteger a religião do Estado.
(RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p. 53, 2008).
  Em Salvador as organizações não católicas compostas especialmente por negros, funcionavam em moradias e faziam parte do quadro urbano.
  Os terreiros, centros e o protestantismo vieram a ser no Brasil profundo transformador social como foi à igreja católica em causa própria.
  Algumas religiões eram legitimadas enquanto outras eram perseguidas como culto demoníaco.
  Quando foram estabelecidas as faculdades de medicina no Brasil em 1832 houve uma acirrada tensão entre curandeiros e feiticeiros, embora a medicina imperial tivesse informações das três tradições: europeia, indígena e negra.
  Quando se estabeleceu o afastamento dos curandeiros e feiticeiros ocorreu uma “Caça as bruxas” no qual seria denigrir e desacreditar a arte de cura popular desses praticantes. Podemos citar que os jesuítas para impor aos índios o cristianismo destruíram sua cultura.
(RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado, p.56, 2008).
  Essas são algumas das influências recebidas pela Umbanda.

 Referências Bibliográficas

RIVAS, Maria Elise Gabriele Baggio Machado - O Mito de Origem, 2008.
Manual para apresentação à FTU – Faculdade de Teologia Umbandista.
DA SILVA, Vagner G."Candomblé e Umbanda: Caminhos da devoção brasileira". 1ª ed. São Paulo: Editora Ática,1994,p.106-110.

Nenhum comentário:

Postar um comentário